Relações
Somos obsecados por organizar e especificar tudo e todos;
A primeira classificação é se somos homens ou mulheres;
Depois somos identificados por raça, profissão, opção
sexual, e tantas outras coisas.
Se não bastasse toda essa burocracia humanistica ainda há rótulos
no que sentimos por outros seres humanos;
Não basta gostar ou não gostar, tem q ser amigo, namorado,
marido, noivo, e ainda tem os “descolados”
(e péssimos): namorido, ficante, peguete e por ai vai...
Há momentos que fico imaginando como é difícil fazer coisas
corriqueiras hoje em dia para agradar alguém que se gosta,
Para dar qualquer tipo de presente deve-se ter um motivo
protocolado e registrado em cartório e ainda seguido das perguntas mais
indiscretas como:
“É sua amiga mesmo ?”
“Por que está fazendo isso pra ela ?”
“Já ta de olho né ?”
Se preocupar com outra pessoa é inviável,
Se é do mesmo sexo: “VIADO”
Se não é: “TA QUERENDO”
Se é criança: “PEDÓFILO”
Se é mais velha: “GOLPE DO BAÚ”
Tudo isso só me faz refletir que o mundo está muito mais
organizado, mais informatizado, mais educado e menos humano.
Sempre gostamos muito de animais, a historia comprova isso,
só que hoje gostamos mais de animais pois eles não nos classificam, especificam
ou identicam.
Qualquer coisa no mundo de hoje é FRAQUEZA; Pedir desculpas,
Comprar flores, Dizer bom dia antes, Admitir
um erro, Até mesmo sentir Afeição é ruim.
Estamos cada vez MENOS SOZINHOS, online 24 horas, podendo
conversar com qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, só que cada um em sua
casa, quarto, celular.
Nada que escrevi é uma novidade, muito menos um furo de
reportagem que faça sair correndo e gritando como se estivesse descoberto a
verdade da vida,
Mas sinto falta de abraços desconhecidos, jogar papo fora no
portão, e principalmente de não precisar classificar, especificar ou
identificar as pessoas que eu amo, gosto ou conheço.
